Partilha de Bens na União Estável: O Que Entra e o Que Fica Fora?

Partilha de Bens na União Estável: O Que Entra e o Que Fica Fora?

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A Partilha de Bens na Dissolução da União Estável

Um dos momentos mais delicados no fim de uma relação é definir como os bens serão divididos. E, quando se trata de união estável, a confusão é comum: afinal, a partilha segue as mesmas regras do casamento? Muita gente acredita que a união estável é apenas um “namoro mais sério”, mas, juridicamente, ela tem efeitos semelhantes ao casamento – especialmente quando o assunto é patrimônio.

De acordo com o artigo 1.725 do Código Civil, a união estável segue o regime da comunhão parcial de bens, salvo se o casal tiver feito contrato escrito em contrário. Neste artigo, você vai entender o que entra e o que fica fora da partilha, como provar a união e de que forma é possível proteger seus bens com segurança e clareza jurídica.

O Regime Padrão: Comunhão Parcial de Bens

O Regime Padrão: Comunhão Parcial de Bens
O Regime Padrão: Comunhão Parcial de Bens – Fonte da imagem: Reprodução/Freepik

A comunhão parcial de bens é o regime aplicado automaticamente às uniões estáveis no Brasil, quando o casal não formaliza outro tipo de pacto.

Nesse modelo, o que foi conquistado durante a convivência pertence a ambos — independentemente de quem pagou ou de em nome de quem o bem foi registrado.

O Que Entra na Partilha (Bens Comuns)

São considerados bens comuns e, portanto, divididos igualmente entre os companheiros:

  • Bens adquiridos onerosamente durante a convivência: imóveis, veículos, aplicações financeiras e qualquer bem comprado enquanto o casal vivia junto.
  • Melhorias em bens particulares: se um dos companheiros investiu na reforma ou valorização de um bem que pertencia apenas ao outro, o valor agregado entra na partilha.
  • Frutos de bens comuns: como rendimentos de investimentos, aluguéis e lucros obtidos durante a união.

A Presunção de Esforço Comum

Um dos princípios mais importantes da comunhão parcial é o da presunção de esforço comum.

Isso significa que não é necessário provar quem pagou cada bem: a lei presume que ambos contribuíram, seja financeiramente, seja com o trabalho doméstico, apoio ou cuidado com os filhos.

Assim, mesmo que apenas um nome conste na escritura ou nota fiscal, o bem é considerado de ambos.

Os Bens Particulares: O Que Fica Fora da Divisão

Nem tudo será dividido. Existem bens que continuam sendo de propriedade exclusiva de cada companheiro — mesmo que tenham sido utilizados durante a união.

Bens Adquiridos Antes da União

Tudo o que cada pessoa já possuía antes do início da convivência continua sendo de sua propriedade exclusiva.

Isso inclui imóveis, veículos, aplicações financeiras e outros bens adquiridos individualmente.

Bens Recebidos por Doação ou Herança

Mesmo que sejam recebidos durante a união estável, doações e heranças não entram na partilha.

Esses bens são considerados pessoais e inalienáveis, salvo se houver cláusula expressa de comunicação no ato da doação ou no testamento.

Bens Sub-rogados

Os bens sub-rogados são aqueles adquiridos com o valor da venda de um bem particular.

Por exemplo: se um companheiro vendeu um carro que já possuía antes da união e usou o dinheiro para comprar outro veículo, o bem novo também será particular, desde que comprovada a origem dos recursos.

A Importância do Contrato de União Estável

A Importância do Contrato de União Estável
A Importância do Contrato de União Estável – Fonte da imagem: Reprodução/Freepik

Formalizar a união é a forma mais segura de evitar conflitos e proteger o patrimônio.

Como Mudar o Regime de Bens

O casal pode, por meio de contrato de união estável, optar por outros regimes patrimoniais, como:

  • Separação total de bens: cada um mantém o que é seu, sem partilha ao final;
  • Comunhão universal: todos os bens, anteriores e posteriores, tornam-se comuns.

Esse contrato pode ser feito por escritura pública em cartório ou instrumento particular com reconhecimento de firma.

Vantagem: Evitar Longos Processos Judiciais

Sem contrato, a comprovação do que é bem comum ou particular pode gerar disputas judiciais prolongadas e custosas.

O contrato de união estável traz clareza, segurança e economia, prevenindo conflitos futuros sobre patrimônio.

Partilha de Dívidas: O Lado Negativo da Comunhão

A comunhão de bens também implica comunhão de obrigações — ou seja, as dívidas podem entrar na divisão.

Dívidas Comuns

São aquelas contraídas em benefício da família, como:

  • Financiamento de imóvel residencial;
  • Empréstimos para despesas médicas ou escolares;
  • Gastos com alimentação e manutenção da casa.

Essas dívidas são divididas igualmente, já que beneficiaram o núcleo familiar.

Dívidas Particulares

Por outro lado, dívidas pessoais não entram na partilha.

Exemplo: empréstimo para um hobby, compra de bens de uso exclusivo ou dívidas contraídas sem benefício ao casal.

Nesses casos, a responsabilidade é individual, não afetando o outro companheiro.

Como Comprovar a União Estável e a Data de Início

Como Comprovar a União Estável e a Data de Início
Como Comprovar a União Estável e a Data de Início – Fonte da imagem: Reprodução/Freepik

Para que haja partilha, é necessário provar a existência da união estável e, principalmente, a data de início da convivência.

A Prova da União

Na ausência de contrato formal, a união estável pode ser comprovada por meio de:

  • Contas bancárias conjuntas;
  • Comprovantes de endereço no mesmo domicílio;
  • Declarações de dependência em planos de saúde ou imposto de renda;
  • Fotos, mensagens, testemunhas e certidões de filhos em comum.

Esses elementos formam um conjunto probatório suficiente para que o juiz reconheça a união.

A Data de Início: Por Que Ela É Crucial

A data exata do início da convivência define quais bens entram na partilha.

Apenas o que foi adquirido após o começo da união é dividido.

Por isso, é essencial ter documentos que indiquem quando o relacionamento passou a ter caráter familiar, e não apenas amoroso.

Conclusão: Planejamento Evita Conflitos

A partilha de bens na união estável segue, como regra, o regime da comunhão parcial de bens. Tudo o que foi adquirido durante a convivência é dividido igualmente, independentemente de quem pagou. Mas os bens anteriores, doações e heranças ficam de fora.

Formalizar a união por meio de um contrato escrito é a melhor forma de garantir segurança jurídica, proteger o patrimônio e evitar longas disputas no futuro.

A equipe da Muraro & Fonseca é especializada em Direito de Família e Sucessões, auxiliando casais a formalizar a união estável e planejar a partilha de bens com clareza e proteção legal. Agende uma consulta e descubra como garantir seus direitos e a tranquilidade do seu relacionamento — hoje e no futuro.

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